12.10.10

Antes de mais, um abraço forte a todos os que precisam de conforto e apoio.

Hoje uma pessoa que mal me conhece viu-me um pouco em baixo e quando viu que não me podia ajudar, disse-me que me dava um abraço forte, que era a única coisa que podia fazer para me ajudar. Eu respondi-lhe que um abraço faz milagres. Ele disse-me que era a melhor forma de transmitir energia positiva.

Um abraço muito forte para todos que precisem.

Tenho vindo aqui apenas para responder aos comentarios que me têm feito mas hoje não pude deixar de vos deixar aqui noticias minhas.

 

Como sempre disse e nunca escondi, sempre fui uma menina mal comportada e não fazia a minha medicação.

Fazia analises e exames e ia ao médico mas não fazia a medicação. A doença apenas deu uns sinais que eu ignorava, umas dores de rins e de articulações... nada que me assustasse! Um dia comecei a notar que tinha algumas dificuldades em me mexer quando estava uns 20 min parada na mesma posição, que demorava mais a recuperar e que parecia uma velhota a mexer me, já foi um susto que me fez andar meses a fio a brigar comigo mesma. De cada vez que eu tinha dificuldades de movimentação ou dores nas articulações, tratava-me mal mentalmente e fazia-me consciencializar que aquilo acontecia por culpa minha, pk eu não fazia a minha medicação.

A minha medicação consistia em 6 tomas: 2 de Trental, 1/2 de Colchicine, 1 Lepicortinolo, 1 Plaquinol e 1 de Tromalyt. Os 2 últimos foram os primeiros medicamentos que comecei a tomar. Por esta altura eu não tomava nada, nenhum deles e já há um ano que não era vista ou seguida por nenhum médico, o que é gravissimo na minha situação.

Arranjei um bom trabalho em Março 2010 e namorado em Julho 2010, as coisas melhoraram.

Neste Verão ressenti-me bastante com o calor e começaram a aparecer-me umas manchas vermelhas na dobra dos braços (parte interior do cotevelo) e na parte de trás dos joelhos, dáva-me mta comichão e tinha mau aspecto. Comecei a tomar consciencia do que andava a fazer a mim mesma. Já faz um mês que tomo os meus 2 medicamentos principais de forma regular e ininterrupta. Estou bastante feliz com o meu sucesso.

Sempre lutei contra a medicação, sempre quis esquecer que tinha LES e Sindrome Anti-Fosfolipidico (something like that) mas sabia que não o poderia fazer por mt mais tempo. Graças ao psicologo que me acompanhou, a quem estou mt grata, e ao meu namorado, e também às manchas, dei um passo neste processo de aceitação.

Não vou deixar de ser quem sou nem de fazer a minha vida mas também não vou desistir e vou dar luta à LES.

 

Pessoal, os vossos comentários tem sido uma inspiração, emocionaram-me imenso, são todos pessoas de coragem (cada qual à sua maneira enfrenta a sua doença) e deram-me força para aceitar que a LES faz parte de mim.

 

Muito Obrigada, continuem a passar pela minha paragem, é com mt gosto que vos tenho aqui.

 

Abraços fortes, never give up! ;)

 

** I'll be back **

sinto-me: positivamente corajosa!
música: Foi a minha lista de Favoritos!
publicado por kelita às 22:40

15.11.09

Por vezes o que queremos e o que sabemos ser melhor para nós não é a mesma coisa. Sofremos por medo de perder o que queremos e por medo de querermos o que nos magoa. São situações injustas que nem sequer sabemos para onde nos virar, sentimos um rachar da cabeça e do coração.

Tudo aconteceu como um dia de sol em que acordei e estava maravilhada com tudo o que se passava à minha volta. Não queria acreditar no que estava a acontecer comigo... Até então tinha-me sentido como um ser estranho, estava gelada e morta por dentro. Ninguém me tocava nem maravilhava e aqueles olhos enormes conseguiram derreter o gelo que me impedia de sentir. Com o degelo veio a chuva de sentimentos, primeiro um quente e dps um tremor... eu estava maravilhada, vivia no mundo da lua e de sorriso estampado no rosto, sentia-me capaz de voar e era como se o mundo fosse todo de algodão doce. Estava sp tudo bem para mim. Mais tarde veio o medo de perder aquele sol morno que me iluminava e maravilhava, um sentimento de impotência apoderou-se de mim e vivia em estado de alerta geral. As marcas do passado que até então tinham estado cobertas começaram a aparecer, o medo de ser trocada, traída ou deixada apareceram. Vivia num sentimento de alerta geral, qualquer silencio ou ausência eram sentidos com um poder mil vezes mais forte. Vivia em estado de choque e sofria com o passar de um minuto como se de uma hora se tratasse. Uma arritmia constante que me impedia de comer ou dormir. Estava sp à espera de uma palavra, de uma prova que era realidade ou de uma promessa. Sentia-me como se não respirasse até que uma dessas coisas acontecesse, aí emergia de um oceano profundo para um mundo de sol e palavras doces.

O meu novo mundo foi-se complicando e começou a aparecer uma quantidade imensa de nevoeiro que me impedia de ver e criava reflexos de uma realidade que não existia, outra que poderia existir. O vento trazia sussurros de profecias terríveis, histórias que contradiziam a realidade que eu vivia e sentia naqueles enormes olhos que me lia como se eu fosse transparente. O pânico apoderou-se de mim, fez-me ver coisas que não havia e outras que talvez houvesse, fez-me ver a realidade e sentir a mentira ou ver a mentira e sentir a realidade, não sei ao certo. Foi o medo de sofrer que me fez abreviar caminho e sentar-me na paragem nunca me desligando do caminho que eu queria tomar. Sussurrava a mim mesma que aquele não era o caminho para mim, que não o podia seguir. Pk? Porque me doia segui-lo, pk era incerto e eu assim não conseguia, pk eu tinha medo que não fosse realidade ou medo de perder a realidade que tanto queria. Não sei se era mais fácil acreditar que era possível ou que não passou tudo de um engano. Dizia aos outros o que queriam ouvir e não o que sentia. Fazia-me de forte e dizia que estava bem, forçava um sorriso torto que apenas mostrava que não estava. Dizia a mim e aos outros que tinha de seguir em frente e empurrava-me em frente, dizia que me ia curar e que sabia que tudo não passava de uma mentira. Ouvia o que me diziam e acreditava que tudo não passou de uma ilusão bem montada. Sentia-me a morrer e a queimar por dentro. Queria tanto que fosse verdade, que houvesse um milagre e que pudesse provar a todos que era possível, que estavam enganados e que eu não estava a ser enganada.

Não sei se foi verdade ou mentira, se foi ilusão ou realidade. Sei apenas o que vivi e o que senti, isso tudo foi verdade. Foi sentido com a intensidade de um amor para toda a vida, naquele espaço ter-me-ia casado e amado aqueles olhos enormes para sempre. Teria dado tudo o que tinha e ter-me-ia esquecido de mim para todo o sempre. Foi loucura, desespero, carência ou desejo de ser feliz... para mim foi apenas amor, amor que marcou e amor que agora faz parte de mim. Que me cortou as raízes com o passado e apagou o que vivi. Tirou-me a visão do futuro e moldou-me. Deu-me a certeza que sou assim, que me dou qd gosto e que não há nada a fazer quanto a isso. Aos olhos alheios pode ser loucura ou parvoíce mas para mim é sentimento que foi vivido. Isso ngm me tira, verdade ou mentira eu amei e senti cada momento como se tivesse a segurar o meu fôlego e a qq momento eu pudesse morrer.

Acabei por morrer mas morri como quis viver. E sp foi assim que quis morrer, olhar p trás e dizer: amei e sofri, dei de mim e fiquei sem mim mas lutei pelo que queria e amava. Sou romântica ou irracional. Gosto de sofrer ou gosto de lutar pelo que amo. Sou cega. Sou o que sou mas amei, arrisquei e sofri mas amei. Amei e vivi e senti. O que ficou foi uma sensação de preenchimento, um doer saudável no coração que de novo bate.

Esta é a única verdade que eu conheço.

 

sinto-me: dorida
música: Kings of convenience - failure
publicado por kelita às 23:24

04.09.09

Para quem não sabe eu sou filha de pais divorciados, fez dois anos no final de Agosto que se separaram. No início a coisa até parecia porreira, podíamos estar com o pai e com a mãe e eles não precisavam estar de acordo sobre o que era melhor para nós, por exemplo se eu precisasse de uns ténis novos e a mãe não desse o pai dava ou se brigasse com a minha mãe o meu pai estaria na certa do meu lado. O lado económico da coisa também era muito porreiro, porém não foi ouro sobre azul durante muito tempo. Depressa chegaram as brigas e as reclamações de um sobre o outro e nós (eu e a minha irmã) nos transformámos em joguetes que tanto podiam ser usados como escudos como armas de arremesso. Na maioria das vezes eu era a filha elástico, sendo eu a maior de idade das duas filhas cabia-me a mim um papel de mediadora que eu ainda hoje não estou certa se deveria de ser assim. Penso que deveríamos de nos ter posto à parte das brigas e afirmado que éramos a Suíça, completamente neutras quanto a questões de pensões de alimentos.

Vivíamos com a mãe e na maior parte do tempo eram dela as reclamações, o pai acabava sempre por ser o homem na forca. Não foi um tempo nada fácil e levou ao afastamento por nossa parte do nosso pai, não apenas por questões relacionadas connosco como também com decisões pessoais dele que se vieram a confirmar não serem as mais acertadas. Não foi fácil sermos colocadas contra um pai que nos negligenciava mas também não deve ter sido fácil ser sempre um alvo de todas as acusações, tal qual como não deve ter sido fácil ficar-se encarregue de duas filhas mais as despesas. O meu pai sempre foi negligente no que concerne com a educação das filhas, isso foi sempre obra da minha mãe. Não estou a querer ficar do lado de ninguém em especial, estou apenas a querer ver os lados todos da coisa. Do lado das filhas, não é fácil ficar-se sem pai e ele ser alvo de tudo e mais alguma coisa, muitas acusações fundadas, infelizmente.

Eu afastei-me dele e ele tirou-me o carro que me emprestava sempre, foi um golpe duro porque era a minha escapadela das recriminações que caíam sobre mim, ele foi-se embora mas eu fiquei para ouvir as que lhe eram endereçadas e as que eram dirigidas a mim também!

As coisas tornaram-se bastante complicadas sem o apoio do meu pai em vários níveis, posso dizer que para mim foi bem feita por que nunca lhe dei o devido valor. Ele não foi o melhor dos pais, podia e devia ter sido mais atento mas ainda assim me deixou muito boas lições e eu nunca lhe disse que ele era realmente importante para mim nem lhe mostrei que tinha valor. Essa é a minha cruz em relação a ele e a toda esta história.

Um dia no meio do meu desespero eu pedi-lhe o carro emprestado e ele disse que sim para minha grande surpresa. Eu sabia que as recriminações e as indirectas em relação ao meu pai recomeçariam por causa do carro. E de facto elas não tardaram, o carro ficou proibido de dormir na nossa propriedade e começamos a ouvir falar do nosso pai com maior frequência. O carro que estava encostado há algum tempo vinha muito sujo e eu tinha de o limpar mas como ele estava proibido de entrar no terreno a coisa complicava-se! Se estava proibido de entrar no terreno nem quero imaginar se usasse a água e a luz do terreno para o limpar...

Com a minha irmã como cúmplice elaboramos um plano para limpar o carro sem ter de confrontar a minha mãe e sem gastar um euro que fosse: pegámos em três garrafões de água vazios e enchemos com água de uma fonte aqui perto. Numa missão de alto risco limpámos o carro mesmo em frente ao portão principal, sem usar água de casa ou luz! Num eficaz trabalho em série ela "espumava" o carro e eu usava um pano encharcado em água para tirar a espuma, no fim uma passou com um pano húmido e a outra com o pano seco para não ficar manchado. Quando se tratou de limpar o interior a coisa complicou-se pois o aspirador fez imensa falta mas ainda assim não deixamos a empreitada a meio, com uma vassoura pequena e uma escova tiramos o pó e a terra/areia das alcatifas do carro (não foi nada fácil!). Tentámos usar o menos possível de coisas aqui de casa e acho que fomos muito bem sucedidas. Durante toda a tarde trabalhamos em conjunto com uma sensação de alívio e de vitória pois tínhamos evitado mais uma briga. Foi uma maneira inteligente de não tomar partido de ninguém. Para além do mais, divertimo-nos como nunca!

Se o divórcio dos meus pais trouxe algo de positivo foi esta união com a minha irmã, unha e carne. Protegemo-nos e apoiamo-nos de uma forma que eu nunca pensei possível. A expressão "I've got your back" nunca teve tão significado para mim como agora. Os melhores momentos que tenho são na companhia da minha mana bebé (apesar de já ter 15 aninhos...) e são momentos perfeitos. Como é natural brigamos por vezes mas felizmente duram pouco as brigas e não usamos as armas para nos atacar que dantes usávamos, armas que marcavam a ferro as nossas memórias. Cada olhar que aquela pequena (pequena é favor por que ela é maior que eu!) miúda manda dá-me força para não desistir e torna os meus dias perfeitos. Mesmo que tudo esteja de pernas para o ar, o facto de ela existir já torna o meu Mundo PERFEITO! E eu não podia minimamente com ela quando éramos miúdas, era uma verdadeira peste!

Hoje em dia por causa dela os momentos que tenho com ela possuem um Orange Sky, não prestei a mínima atenção à letra da música mas os meus dias com ela são como um fim de tarde de verão quando o Sol está-se a pôr e nos sentimos completos a observá-lo. A warm, perfect and Orange Sky. Seja este ou não o significado da letra, de cada vez que ouço a música é disto que me lembro.

A minha irmã é o meu Orange Sky e valeu a pena o divórcio e as consequências dele se foi ela e a nossa nova relação que eu ganhei!

sinto-me: agradecida pelo meu Orange Sky
música: Orange Sky - Alexi Murdoch
publicado por kelita às 01:22

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