08.07.09

Apesar de apenas ter 22 anos não posso negar que Michael Jackson me marcou como a tanta gente, recordo-me de ser ainda menina e de ouvir vezes sem conta "Black or White". Esta foi, em miúda, a música que mais me marcou, anos depois "Billie Jean" com o seu ritmo que fica no ouvido e nos põe imediatamente a dançar e tantas outras que são magníficas pelo seu ritmo, simplicidade e pela inconfundível voz de Michael Jackson. É impossível negar que era efectivamente uma estrela, o Rei dos Reis, e que foi uma grande perda para o mundo da música mas não é isso que me faz escrever aqui sobre este assunto.

 

Ontem foi-lhe feita uma homenagem em LA; família, amigos e fãs reuniram-se lá para lhe dar um último adeus. Por um lado até achei bonito que lhe fosse prestada uma homenagem assim porém achei de tão mau gosto estar lá o caixão e terem exposto os filhos dele. Os filhos que ele sempre protegeu, chegando mesmo a fazê-los usar um véu, para que ninguém os reconhecesse e que eles pudessem levar uma vida normal. Para além da exposição que foram colocados também me chocou a forma como permitiram que as crianças ali tivessem e que uma delas, Paris de 11 anos fizesse uma declaração. Por mais bonita e sentida que fosse essa declaração nada é suficiente, nada justifica a exposição e a pressão que aquela criança foi colocada. Mesmo que ela quisesse prestar a sua homenagem ao pai e o seu amor, realmente foi lindo, foi tocante, diante de 18 mil fãs dizer que ele era o melhor pai que ela poderia ter imaginado e que o amava muito. Revelou muita coragem por parte daquela pequena criança e muita falta de sensibilidade por parte dos familiares, que a deveriam proteger da exposição.

Apreciei bastante a homenagem que Brooke Shields lhe prestou que para mim foi das que mais contou, para além da que a filha de Michael Jackson fez. No meio de todo aquele show foi a que me pareceu que estava a ser mais autêntica, tentando trazer a todos um pouco do Michael que ela conhecia, admirava e amava. Um Michael que não era apenas uma estrela mas também uma pessoa cheia de vida e de boa disposição. Gostei bastante da descrição que ela fez dele e da comparação que fez com o Principezinho.

Para além desta homenagem na RTP1, que foi sempre interrompida pelos comentários, por vezes inoportunos dos comentadores e jornalistas, também vi uma entrevista na SIC feita a Michael Jackson por um Martin qq coisa  (já deu um pouco tarde), 8 meses antes da morte do cantor. A entrevista pareceu-me uma melhor homenagem ao cantor, apesar de expor pormenores dolorosos e escandalosos, foi consentida pelo cantor. Ele tinha optado por mostrar uma parte da vida dele e dele mesmo que normalmente escondiam, para além disso abriu as portas do seu rancho Neverland e de seu coração. Ao longo da minha infância e até agora sempre ouvi criticas e comentários sarcásticos sobre as opções do cantor, desde o seu aspecto à forma como conduzia a sua vida pessoal e infelizmente passando pelas acusações que lhe foram feitas.

Na entrevista, falou um pouco sobre os processos e sobre a sua difícil infância e adolescência, chegando mesmo a afirmar que ele era o Peter Pan, dentro do seu coração. Poderão chamar-me de inocente ou até de coisas piores mas para ser sincera eu acreditei em cada palavra que ele disse. As acções dele e as palavras para mim coincidiram e fizeram sentido, ele poderia ser considerado um freak show mas eu não o quero nem vejo assim, vejo-o exactamente como ele e Brooke Shields se referiam: um menino, um homem que em criança não teve oportunidade de o ser e que o era em adulto. Não o considero uma pessoa desajustada, infantil e sem inteligência mas pelo contrário, acho que era extremamente inteligente, sensível e inocente. Uma pessoa que decidiu manter o seu lado criança vivo e viver num mundo só dele. É assim que o vejo e é assim que me quero lembrar sempre dele.

Outra coisa que sempre me irritou, a forma como era criticado e gozado. Ninguém sabe os motivos que o levaram a tomar as decisões que tomou e a ter as atitudes que teve. Ninguém está acima da suspeita nem acima de nada ou alguém. É algo que tendemos a esquecer, que todos somos imperfeitos e que nalgum momento da nossa vida tomamos decisões e temos atitudes que vistas de foram poderão parecer bizarras mas que para nós terão todo o sentido. Convém não esquecer disto a próxima vez que se apontar o dedo a alguém, deveríamos ter mais compaixão com o próximo.

Agora que se foi espero que tenha descanso e que os seus filhos consigam fazer a sua vida o mais normal possível. Espero que não sejam vistos como meios para chegar à herança de Michael Jackson e que sejam protegidos de todo o mal. Que possam ser crianças normais apesar de um pai fazer sempre falta, seja ele o Michael Jackson ou o Zé da esquina. Sinceramente espero que elas não sofram no meio desta corrida à herança do Michael Jackson, Rei da Pop, Principezinho, Peter Pan.

 

sinto-me:
publicado por kelita às 23:05

Continuo a dizer:

Grande Homem, excelente músico e magnífico bailarino.

Abraços
Yoga a 16 de Julho de 2009 às 13:28

Oi, obrigada pelo coment. Foi o 1.º!
kelita a 22 de Julho de 2009 às 13:16

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