15.11.09

Por vezes o que queremos e o que sabemos ser melhor para nós não é a mesma coisa. Sofremos por medo de perder o que queremos e por medo de querermos o que nos magoa. São situações injustas que nem sequer sabemos para onde nos virar, sentimos um rachar da cabeça e do coração.

Tudo aconteceu como um dia de sol em que acordei e estava maravilhada com tudo o que se passava à minha volta. Não queria acreditar no que estava a acontecer comigo... Até então tinha-me sentido como um ser estranho, estava gelada e morta por dentro. Ninguém me tocava nem maravilhava e aqueles olhos enormes conseguiram derreter o gelo que me impedia de sentir. Com o degelo veio a chuva de sentimentos, primeiro um quente e dps um tremor... eu estava maravilhada, vivia no mundo da lua e de sorriso estampado no rosto, sentia-me capaz de voar e era como se o mundo fosse todo de algodão doce. Estava sp tudo bem para mim. Mais tarde veio o medo de perder aquele sol morno que me iluminava e maravilhava, um sentimento de impotência apoderou-se de mim e vivia em estado de alerta geral. As marcas do passado que até então tinham estado cobertas começaram a aparecer, o medo de ser trocada, traída ou deixada apareceram. Vivia num sentimento de alerta geral, qualquer silencio ou ausência eram sentidos com um poder mil vezes mais forte. Vivia em estado de choque e sofria com o passar de um minuto como se de uma hora se tratasse. Uma arritmia constante que me impedia de comer ou dormir. Estava sp à espera de uma palavra, de uma prova que era realidade ou de uma promessa. Sentia-me como se não respirasse até que uma dessas coisas acontecesse, aí emergia de um oceano profundo para um mundo de sol e palavras doces.

O meu novo mundo foi-se complicando e começou a aparecer uma quantidade imensa de nevoeiro que me impedia de ver e criava reflexos de uma realidade que não existia, outra que poderia existir. O vento trazia sussurros de profecias terríveis, histórias que contradiziam a realidade que eu vivia e sentia naqueles enormes olhos que me lia como se eu fosse transparente. O pânico apoderou-se de mim, fez-me ver coisas que não havia e outras que talvez houvesse, fez-me ver a realidade e sentir a mentira ou ver a mentira e sentir a realidade, não sei ao certo. Foi o medo de sofrer que me fez abreviar caminho e sentar-me na paragem nunca me desligando do caminho que eu queria tomar. Sussurrava a mim mesma que aquele não era o caminho para mim, que não o podia seguir. Pk? Porque me doia segui-lo, pk era incerto e eu assim não conseguia, pk eu tinha medo que não fosse realidade ou medo de perder a realidade que tanto queria. Não sei se era mais fácil acreditar que era possível ou que não passou tudo de um engano. Dizia aos outros o que queriam ouvir e não o que sentia. Fazia-me de forte e dizia que estava bem, forçava um sorriso torto que apenas mostrava que não estava. Dizia a mim e aos outros que tinha de seguir em frente e empurrava-me em frente, dizia que me ia curar e que sabia que tudo não passava de uma mentira. Ouvia o que me diziam e acreditava que tudo não passou de uma ilusão bem montada. Sentia-me a morrer e a queimar por dentro. Queria tanto que fosse verdade, que houvesse um milagre e que pudesse provar a todos que era possível, que estavam enganados e que eu não estava a ser enganada.

Não sei se foi verdade ou mentira, se foi ilusão ou realidade. Sei apenas o que vivi e o que senti, isso tudo foi verdade. Foi sentido com a intensidade de um amor para toda a vida, naquele espaço ter-me-ia casado e amado aqueles olhos enormes para sempre. Teria dado tudo o que tinha e ter-me-ia esquecido de mim para todo o sempre. Foi loucura, desespero, carência ou desejo de ser feliz... para mim foi apenas amor, amor que marcou e amor que agora faz parte de mim. Que me cortou as raízes com o passado e apagou o que vivi. Tirou-me a visão do futuro e moldou-me. Deu-me a certeza que sou assim, que me dou qd gosto e que não há nada a fazer quanto a isso. Aos olhos alheios pode ser loucura ou parvoíce mas para mim é sentimento que foi vivido. Isso ngm me tira, verdade ou mentira eu amei e senti cada momento como se tivesse a segurar o meu fôlego e a qq momento eu pudesse morrer.

Acabei por morrer mas morri como quis viver. E sp foi assim que quis morrer, olhar p trás e dizer: amei e sofri, dei de mim e fiquei sem mim mas lutei pelo que queria e amava. Sou romântica ou irracional. Gosto de sofrer ou gosto de lutar pelo que amo. Sou cega. Sou o que sou mas amei, arrisquei e sofri mas amei. Amei e vivi e senti. O que ficou foi uma sensação de preenchimento, um doer saudável no coração que de novo bate.

Esta é a única verdade que eu conheço.

 

sinto-me: dorida
música: Kings of convenience - failure
publicado por kelita às 23:24

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