14.07.09

Aaah! Porque não fui eu estar quieta, dentro da anormal normalidade o meu dia que até estava a correr muito bem... Para que fui eu dar um tiro no pé e matar com a certeza a bela da ilusão em que eu habitava?! A descoberta de alguém do passado foi um presente dos céus se esse presente não viesse envenenado...! As pessoas do passado não se mantêm no passado elas caminham para o futuro, só eu é que teimo em ficar presa ao passado, envolvendo-o com sonhos e esperanças para o futuro! M£RD@

Indo ao que já deveria ter vindo e deixando o que passou. Fui eu a um Sô Dr. pra ele me dizer o que eu já gritava há muito tempo sem me aperceber contudo que era isso realmente o que eu procurava: espaço! O meu espaço. ... DÊEM-ME ESPAAAAAAÇO! Pois porque apesar de pequenina eu preciso e gosto muito do meu espaço. Porque sou uma pessoa que reflicto muito sobre os acontecimentos que aconteceram, não aconteceram, podiam ter acontecido e gostava que tivessem acontecido... isto no passado mas também tudo no futuro! - No presente não tenho muito tempo, é fiz e pum! Está feito. (às vezes corre bem, outras nem por isso) - Como estava a dizer/escrever, vá lá então, eu reflicto muito e para tal preciso do meu espaço. O que leva a graves situações de atritos e de descargas de energias muito negativas, pode-se nomear assim. O que é péssimo para quem habita perto de moi.  E também para mim, faz-me sentir um bicho do mato incompreendido. (pode ser este, tem a sua graça.)

 

Pode-se com toda a certeza apelidar-me carinhosamente de a incompreendida! (talvez deva mudar o título ou adicionar: um tiro no pé da incompreendida e pela própria!) E incompreendida porquê? Isto é difícil de explicar e envolve muita coisa que de momento não me sinto preparada para enveredar por. Porém, uma das razões para assim ser é que escolho, não sei bem como é feita a selecção mas escolho sempre o caminho mais complicado e tortuoso e tenho sempre a sensação que não chego a lado nenhum. Apesar de ponderando as coisas cheguei, cheguei a quem sou hoje. Uma criatura inacabada que tem muitos sonhos e planos misturados, só ainda me faltou dizer que queria ter asas e voar! Por que já fui desde querer casar com o Príncipe William, era muito pequena, confesso; a querer ir para a Gronelândia salvar pinguins! - Hoje funciono um pouco nem tanto ao mar nem tanto à terra: ambiciono casar com o meu próprio príncipe que já desconfio que ainda nem foi inventado... e ter uma mota! Grandes progressos, posso eu afirmar!

Talvez seja altura de começar a falar a sério, aqui há uns tempos atrás senti a necessidade de me afastar de toda e qualquer pressão que eu sentisse. Os amigos ligavam-me a falar dos problemas e de cada vez que escutava algum deles eu sentia como que se me tivessem amarrado uma mais um barril cheio de chumbo as pernas. De cada vez que escutava os problemas de alguém sentia-me a afundar cada vez mais num mar escuro. Um dia tive de me libertar disso tudo, deixei de estar presente e passei a ser cada vez mais ausente: a não atender chamadas, não responder a sms nem a e-mails. Cortei todas as amarras que me puxavam firmemente para baixo. Não se trata de uma depressão nem de uma crise emocional, ou tão pouco de uma mudança de humor, trata-se de eu me querer encontrar! Eu que me perdia há tantos anos atras e até hoje tenho-me encontrado aos pedaços. Um pedacinho aqui e outro ali, a colagem não tem sido sem esforço nem sem sofrimento mas tem sido gratificante, pois vejo-me crescer enquanto ser humano e gosto de quem vejo. Vejo-me a mim. Por vezes a imagem torna-se um pouco difusa, o nevoeiro instala-se nos meus dias e caminho na bruma. Sinto-me que nem uma caravela dos descobrimentos em mares ainda não navegados em dias de grande nevoeiro. O sol brilha para lá das densas camadas de nevoeiro e isso acalma-me e mantêm-me firme no rumo que tomo, posso não saber ainda bem para onde me dirijo mas sei que o Sol brilha para esses lados. E assim continuo dia após dia a perseguir o Sol, é nele que vou buscar as minhas forças e a alegria de continuar.

Há dias em que posso simplesmente apreciar o calor do Sol na minha face e contemplar interiormente a criatura que me tornei. Não perfeita mas a cada dia que passa mais eu. Consigo ver cada passo fora do traço que deveria ter seguido e posso apontar o que chamaria de erro se acreditasse em erros. Não acredito em erros ou em más decisões, acredito em desvios ao percurso traçado de início, se não tivesse tomado esse rumo diferente nunca teria chegado aqui. Talvez nunca tivesse mesmo chegado pois acredito que foi esse caminho que tomei há uns 7 anos ou 8 atras que me tornou numa incompreendida, que me partiu em pedacinhos. Não culpo mais ninguém pela minha forma de destruição/reconstruição se não eu, fui eu que tomei as decisões. Sou eu que, por vezes, quando ainda penso que posso mudar o passado e tornar os meus sonhos o meu futuro, lamento as escolhas que fiz. Estou num tal momento de plenitude, não completa mas ainda assim plenitude, que quase que consigo traçar a minha vida num mapa. Os caminhos que fiz, que se poderiam dividir em os mais fáceis ou os mais difíceis, e os caminhos que poderia ter feito. A plenitude não traz apenas isso, traz também a certeza de que eu faria as mesmas escolhas ou as escolhas semelhantes porque eu tenho a mania de dar tiros nos meus próprios pés. No momento de escolher, escolho sempre errado. Por isso mesmo agora tento tomar o máximo de cuidado a tomar uma decisão, ponderar bem os prós e os contras. Contudo, as decisões acabam sempre por se revelar "tiros no escuro" pois não estão só dependentes de nós, estão também dependentes dos outros. E é aí que eu dou o tal tiro no pé! Conto sempre com determinada acção por parte da contraparte e... dou sempre um tiro no pé.

Assim, sou: incompreendida, sonhadora, pensadora, criança e mulher. Uma fénix que renasce das próprias cinzas. -- que comparação tão usada e ousada! Querer comprar-me a uma criatura mítica... -- mas sou forte e desfaço-me em pedaços e faço-me de forte e colo-me de novo. Sozinha nesses momentos porque são só meus e porque quero sentir-me orgulhosa de mim. São os meus pedaços que não quero espalhados ao vento nem colados ao contrário. Não os colo como querem nem como dizem as indicações mas fui eu que os colei à minha imagem. São parte de mim e de quem quero ser, de quem vou ser. Assim o espero. Caminho sozinha a maior parte do tempo, sou confusa ou instável alguns dizem mas não vêem a beleza da minha construção. Não apreciam o momento que me levanto depois da queda, não vêem a forma como limpo as lagrimas e sacudo o cabelo, apenas me vêem cair e exclamam: ela caiu de novo, não sabe o que faz nem sabe o que quer. Não me olham nos olhos e não vêem o brilho de quem quer vencer, não me querem nem conhecer. Pensam que conhecem e tomam-me como certa na queda.

Esta sou eu, um pedaço de mim que chora por alguém que acabou de perder. Alguém que nunca teve. Uma pessoa que está feliz com o que constrói, apesar do pó e dos dias sombrios agradece cada pedaço que descobre e retribui ao seu lugar. Onde uns vêem caos eu vejo esperança. Um pedaço de Sol que se reflete num pedaço novo de mim.

sinto-me: plena
música: Iris, Goo Goo Dolls
publicado por kelita às 22:08

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